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Vila Carrão – Um pedaço de Okinawa no Brasil

A Associação Okinawa de Vila Carrão destaca-se dentre as demais subsedes, não somente pelo número de associados (a região agrupa uma das maiores concentrações de “uchinanchus” do país), como também pela maneira como vem preservando e divulgando a cultura okinawana ao longo de mais de 50 anos de existência.

Considerada uma verdadeira “meca” da cultura de Okinawa, podemos encontrar no bairro escolas de dança (Ryukyu Buyô), de música folclórica (Okinawa Minyô), de música clássica (Koten), de taikô, de karatê, de língua japonesa, enfim, várias manifestações artísticas e culturais num único lugar.

Tudo isso se deve, porém, ao espírito de união, de solidariedade, de dedicação e esforço coletivo de toda comunidade que se instalou no bairro, fazendo com que sua associação crescesse de tal maneira, a ser chamada carinhosamente de “Kaikan Mamute”, não só pela grandiosidade de seu crescimento e também pelas atividades que desenvolve.

Passados cinquenta anos, a Associação luta, assim como as demais subsedes, para preservar as tradições, os costumes dos seus ancestrais, transmitindo aos seus descendentes toda a riqueza da cultura de Okinawa e acima de tudo, o verdadeiro espírito de solidariedade, expressada pela máxima Ichariba Choodee (‘uma vez que nos encontramos, somos todos irmãos’).

Se no início eram apenas 27 pessoas, hoje o kaikan congrega mais de 450 famílias, totalizando mais de 2 mil pessoas.

A Associação mantém diversas atividades para seus associados, tais como: Gateball, Rádio Taissô, Karaokê, Dança de salão, Tênis de Mesa, Futebol de Salão, Futebol de Campo, Cursos de Língua Japonesa, de Oratória, Memorização e Leitura Dinâmica, Sessões de Cinema para a 3ª Idade, Palestras de interesse da comunidade, entre outros.

Além disso, promove vários eventos ao longo do ano, atraindo um público cada vez maior. Prova disso é o “Okinawa Festival”, que a partir de 2007 foi incluído no Calendário de Eventos da Cidade de São Paulo, tornando-se assim, um evento oficial da cidade. Ele tem como objetivo divulgar para toda a comunidade da região a cultura e as artes de Okinawa,com diversas atrações artísticas ao longo  do dia, tais como danças, músicas, taikô, karate, entre outras; além de várias barracas com comida típica okinawana, japonesa e brasileira. O ponto alto da festa é a queima de fogos, ao som dos tambores, finalizado com o tradicional “katchashii”, com a participação de todos os presentes. Este evento realmente tem grande repercussão, não somente nas proximidades, pois vêm pessoas inclusive de outras cidades e até estados para prestigiar esta grande festa.

Talvez um dos segredos para o sucesso de seus empreendimentos seja o espírito de união, de solidariedade, a força de vontade em concretizar projetos, além da garra herdada dos primeiros imigrantes “uchinanchus”, que não se intimidavam diante dos obstáculos.

A história da associação se confunde com a história da imigração okinawana no Brasil, pois traz a trajetória de várias famílias vindas do interior do estado e até mesmo de imigrantes “uchinanchus” vindos da Bolívia, que chegaram ao bairro em busca de melhores condições de vida. Assim como a migração dos uchinanchus do interior que vieram para as cidades, chamados por seus familiares que já haviam se instalado antes, os “bolivianos” também imigraram para o Brasil, onde tinham conhecidos. Isto explica a grande concentração de “shimanchus” num mesmo local.

Além da migração boliviana, ocorreu também a nova geração de imigrantes vindos diretamente de Okinawa após a Segunda Guerra, a partir de 1956. Assim como os “bolivianos”, os novos imigrantes vinham diretamente para a Vila Carrão. Alguns se tornaram feirantes, outros ambulantes, ou costureiros, ou ainda comerciantes.

Passadas algumas décadas e várias famílias que se instalaram na Vila Carrão tornaram-se empreendedoras, tornando-se inclusive referência em vários ramos de atividade, como confecções, perfumaria, ferragens, entre outros. Isto é motivo de orgulho, pois demonstra que a força de vontade, aliada ao trabalho intenso, cria condições de sucesso.

Atualmente há um movimento de resgate das tradições e costumes de Okinawa; isto se reflete no interesse dos jovens em querer praticar o taiko, o odori, ou ainda, aprender a tocar o sanshin. Isso mostra o quanto é importante transmitir para os mais jovens o valor da cultura okinawana, ensinando o amor e o respeito para com seus ancestrais.

Ainda podemos encontrar este sentimento nos eventos anuais da associação, como por exemplo, nos Undokais da subsede, evento no qual podemos encontrar várias gerações reunidas, desde crianças de colo até os ojichans e obachans que fazem questão de comparecer e participar, por isso, acreditamos que a preservação da cultura okinawana estará sendo mantida por muitos anos nesta subsede.

Marcello Tinem e Vanessa Shiroma Tinem
Jornal Utiná Press
(Texto publicado no Livro Comemorativo dos 50 anos
da Associação Okinawa de Vila Carrão)

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