


As tragédias decorrentes das enchentes que ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro no início do ano foram ponto de partida para que toda a Associação Okinawa de Vila Carrão se mobilizasse.

O pontapé inicial foi dado pela vice-presidente do Departamento Feminino da entidade (Fujinkai), Naomi Yonamine, que sugeriu a ideia de que fossem arrecadadas doações para as vítimas de enchente não só do Rio de Janeiro, como também de São Paulo.
Contando com o apoio maciço do Seinenkai e de toda a diretoria da AOVC, a campanha teve início no dia 19 de janeiro até o dia 21 do mesmo mês. Em esquema de revezamento, as senhoras do Fujinkai, juntamente com os integrantes o Seinekai fizeram plantões com horários para receber as doações.
Em apenas três dias foram arrecadados mais de duas toneladas de doações entre roupas, roupas de cama, mesa e banho, alimentos não perecíveis, artigos de higiene e água potável.
Isto, porém, foi só o início. Os jovens do Seinenkai ficaram tão empolgados com a causa, que estenderam a campanha até a semana seguinte, arrecadando mais doações ainda.
Até mesmo pessoas da vizinhança se solidarizaram com a causa, contribuindo com doações.
“Muitas pessoas estão ajudando e é sempre bom ajudar, mas, às vezes, a gente nem sabe como começar... Como o pessoal do Fujinkai não tem muito tempo disponível para ficar no kaikan recebendo as doações, achei melhor conversar com o Seinenkai, que tem mais tempo e disposição para colaborar. Eles disseram: ‘Tia, a gente queria ajudar, mas não sabe como...’, então falei: ‘já sei como vocês podem ajudar’, e assim começou a campanha. Como eles (jovens do Seinenkai) estão de férias, tem mais tempo livre, além disso, estão tão empolgados com a arrecadação que eles próprios fizeram os horários de escala de recebimento das doações. Nós vemos que os associados da Vila Carrão não ajudam somente nas festas, como no Okinawa Festival, mas também nas ações sociais”, conta Naomi Yonamine.
Rui Chibana, presidente da AOVC, comentou: "Acho muito boa esta união de todos os departamentos: Fujinkai, Seinenkai, diretoria e associados, em prol de um único objetivo. O pessoal abraçou a ideia e vemos que isto está tendo resultado. Cada vez mais está tendo mais arrecadação e ficamos impressionados com os associados que estão colaborando em massa. Vemos que a comunidade da Associação Okinawa de Vila Carrão está sempre contribuindo, trazendo uma vida melhor não só para a comunidade local, mas para toda a sociedade brasileira. Acho que esta contribuição vai trazer mais união a todos. Agradeço a todos que contribuíram e estão contribuindo”, disse ele.
A secretária da associação, Andréa Tomoko Ie conta que o transporte das arrecadações ficou por conta do vereador Ushitaro Kamia, que disponibilizou um veículo para recolher as doações para serem encaminhadas aos locais mais necessitados.
“Não só no Rio de Janeiro, mas também aqui em São Paulo muitas pessoas foram vítimas das enchentes, inclusive aqui perto (no Aricanduva). Então a gente tem que priorizar as pessoas das redondezas. A primeira leva foi encaminhada ao Tremembé (zona norte de São Paulo) e as demais serão distribuídas a outros locais”, explicou ela. “O pessoal do Seinenkai está muito empolgado, tanto que assim que começaram a aparecer as primeiras doações, eles mesmos foram separando os artigos de roupa (feminino, masculino, infantil), higiene, alimentos, identificando as doações nas caixas e embalagens”,
Os jovens, coordenados pelo presidente do Seinenkai, Hugo Takeji Teruya, se empenharam bastante no trabalho de arrecadação. Ivana Yonamine, idealizadora da retomada do Seinenkai, apoiou os jovens, divulgando a campanha através de e-mails.
Esta não é a primeira vez que o grupo recém-formado trabalha em prol de causas sociais. Os jovens também trabalharam como voluntários na Kibô-no-Iê, no Interkaikans e também nos eventos culturais realizados pela Associação Okinawa de Vila Carrão.
“O trabalho compensa, só em saber que a gente está ajudando o próximo”, comentam.
“Na verdade é muito divertido, como estamos em férias, a gente vem aqui no kaikan e é bom que todo mundo ajuda. Além de ajudar a comunidade a gente acaba se ajudando também, aumentando o círculo de amizades”, complementa o grupo que aproveitava um intervalo para fazer um lanche.
Rúbia Teruya, uma das jovens presentes, explicou que a escala de horários foi feita a partir da disponibilidade de cada pessoa e que durante os três primeiros dias de arrecadação cerca de 60 jovens vieram ajudar.
Isso só demonstra que com boa vontade, empenho e união é possível fazer a diferença.